sábado, 25 de novembro de 2017

FUGA

Há um monte de papéis rasgados, de poesias lidas
Esperança desfeita em prantos
Restos de amor sepultados na alma
Há dores esvaindo ao chão
Resto de sonhos de um passado morto
Há um por de sol entre as montanhas
Entre as entranhas do meu coração.

Há um despertar nostálgico de flor desabrochando
Larvas varrendo o chão, queimando, queimando
Multidões de soluços, de sonhos desfeitos,
Pássaros que já não cantam ao anoitecer
Borboletas mirradas bailando sem espaço
Há dança de folhas tombadas ao vento
Uma enorme escuridão sem um único farol.

Girassóis que já não bailam acompanhando o sol

Há pedras no caminho, poeira na estrada
Rios que secaram, aves que não cantam
Há pântanos, lodaçais, sementes que não nascem
Estrelas mortas, pirilampos sem lanternas
Nuvens de insetos, sapos deglutindo
Formigas carregando milhares de esperas,
Migalhas de ilusões, sonhos de amor
Enterro de quimeras, fantasmas de ilusões,
Fantasias rasgadas, rosas pisadas
Há vinho em vez de mel de pétalas esmigalhadas.

 Há  rascunhos amassados pelo chão
Cartas desmanchando em lágrimas
Um medo intenso que tudo tenha passado
Que não haja esperança de um viver risonho
De uma vida feliz que eu tive ao seu lado

Há odores de cigarros apagados
Cinzas queimando as flores do lençol
Um perfume que faz voltar todo o passado
Papéis de cigarros bem guardados...
Como relíquia de uma tarde de sol.

Há promessas de beijos queimando meus lábios.
Centelhas de dois olhos nos meus olhos.
Há dor de um corpo que não entrou em minhas entranhas
Alegria de posse que não foi realizada (consumada)
Calor de um corpo que não juntou ao meu.

Há um leito vazio, um coração vazio (sozinho)
Existe eu procurando dormir um sono profundo
Acalentando a ilusão para crer acordada
Que foi tudo seja um pesadelo para acordar depois.

Há olhos cerrados, uma vontade louca
De dormir minha vida por toda eternidade...
Sem pensar num minuto, um só instante
Que tudo isto foi e é realidade.
Salvador 26/08/1999.
Jailda Galvão Aires.

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