terça-feira, 19 de abril de 2011

INSÔNIA

 
 Sob o meu travesseiro não tem só uma pedra 
 Tem montanhas altas, enfileiradas,
 Com cabeleiras verdes, encaracoladas,
 Onde procriam grilos e cigarras estridentes,
 Enxames de abelhas, insetos reluzentes,
 Que zoam e sibilam nos meus tímpanos,
 Como pragas  infernais, para quais,
 Não existem inseticidas nem armas letais.

Não tem só uma pedra sob o meu travesseiro
Tem pedregulhos de rochas explodindo,
Pensamentos repetidos como um disco ferido
Um tal de  livre arbítrio que me força a decisões
Que eu nunca saberei se foi a melhor ou não.

Tem indagações filosóficas e muitos por quês.
Tem um passado atrelado a um futuro presente
Que torna o meu viver de agora, ausente.


Para não ensandecer adorno o travesseiro
Trocando britas por pedras preciosas
Se o passado é lindo tem rubis travessos,
Se o futuro é afável tem esmeraldas finas 
E assim mato as noites de insônia infindas
Sob a sinfonia de grilos fofoqueiros.


Se a noite é negra caço vaga-lumes
E no lume de suas lanternas
Encho o meu quarto de estrelas
E se não posso ouvi-las qual o poeta
Posso contá-las e empilhá-las em  versos
E durmo acordada do meu jeito inverso.
                             Rio, 18/04/2011


                                         

Um comentário:

ivanoy (Vaninha) disse...

Jai, Querida.

Esta poesia me fez lembrar a nossa saudosa Cora Coralina que disse: “Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida removendo pedras e plantando flores” Você, tal qual Cora Coralina ,resignificou as suas pedras , transformando-as em preciosidades. A cidade das Esmeraldas jamais irá sucumbir, pois ela foi construída sobre o alicerce do amor, cujo mestre de obras foi alguém muito especial que só tem coisas boas para partilhar, proporcionando a outras pessoas construir mais um lar nesta iluminada cidade. Isto é que é solidariedade: partilhar com os irmãos a nossa felicidade.
Beijos
Vaninha