quarta-feira, 14 de agosto de 2024

FÓSFORO ACESO

Um fogo abrasador incandescente

Desce rasgando o ventre das montanhas

Línguas serpenteiam vorazmente

Roendo os veios em suas entranhas

 

E a mata estremece inteiramente

Gemendo de dor... Uma dor que  arranha.

A alma da terra esguicha lentamente

E morre sob o fogo que a arrebanha.

 

Raízes retorcidas em magnas cinzentas

Sob os troncos vergados morrem os ninhos

E milhares de animais jazem indefesos.

 

A cobiça humana, vil, sangrenta.

Comemora por trás dos colarinhos:

-Bastou apenas um fósforo aceso!

    Jailda Galvão Aires 14/08/2024

 


domingo, 28 de julho de 2024

MARIA RENATA 15 ANOS

 M imosa flor guarda este momento, que

A vida se abre em sonhos refloridos

R evive cada detalhe desta festa linda!

I nstante este que jamais será esquecido

A o lado, dos que te amam, minha querida!

 

R osas multicor enchem o salão de festa!

E ncantadora estás a espalhar sorrisos...

N ada se compara aos teus quinze anos

A dorável princesa amável e destemida.

T ens no coração o brilho dos arcanjos

A mor que contagia a todos nesta vida.

        Rio, 26/07/2024 Jailda galvão Aires



sábado, 8 de junho de 2024

LEOA FEROZ

  Sou leoa aloprada que nunca descansa

mesmo dormindo o meu inconsciente

fica atento ao inaudível ruído

que vem das fendas do desconhecido.

se fecho os olhos farejo o ar vertente

advindo dos raios de algum sol poente.

tatuo as rosas sem ferir as mãos

meu sexto sentido prioriza escolhas

seguindo e aperfeiçoando intuições

 Desembarcou do ônibus sentindo a tontura dos viajantes. Horas de balanço constante, acelera e freia, sobe e desce, motor que ronca numa constante e gente que por vezes grita e sussurra. O calor e o frio se misturam dentro do espaço acondicionado sem ar. 

sozinha, quantas vezes fiquei no meio da estrada

- O coletivo velho e ruidoso de tanto galopar buracos, enguiçava.

viajantes desciam da nave carcumida à espera de uma carona.

O frio do inverno do sul da Bahia era gélido  de doer os ossos.

vaga-lumes  piscavam no asfalto esburacado.

O ruído umbrático da noite piava e farfalhava. 

enfrentei o medo e peguei carona com conhecidos 

ou na boleia de ignotos mas educado caminhoneiros.

mesmo atrasada cheguei a faculdade 

e  se para Nietzsche “Deus está morto”

e esta era a única questão, versei`a prova, em vinte minutos

conquistando meu  suado e trabalhado diploma

se por quarenta anos engavetei conhecimentos

filosofei e versei alegrias e tormentos. 

 

Trago nos ombros o peso do mundo

sentindo a dor humana atravessada em mim.

sofrendo e lamentando por ser assim

que Deus perdoe este ser infecundo.

percorri caminhos que não escolhi.

a vida me pregou peças. Lutei até o fim.

feliz por inteiro quem o é nesta vida?

incoerente, incongruente, sem freio

entre atalhos e pedras não encontrei saída,

Mas sei que valeu a pena... E como valeu.


Jailda Galvão Aires  (Rio. 17705/2024)

terça-feira, 21 de maio de 2024

COPA DO MUNDOxRÚSSIA E UCRÂNIA

 

Enquanto a copa une o mundo

E a vibração toma a Terra

Rússia e Ucrânia em segundos

Matam seus filhos na guerra!

 

A bola nos pés encena

Voos e chutes colossais

A guerra vil entra em cena

Com bombas que tiram a paz

 

Povos de todos os cantos

Se encontram para vibrar.

Nas estradas e recantos

Fugitivos perdem o lar.

 

Como entender uma guerra

Que da paz sua revés.

Poderia toda a terra

Estar com a bola nos pés

 

Festa e alegria no mundo

Todos em busca da taça

Nas estradas, moribundos,

Sentem o frio da desgraça

 

Sonhamos que toda a Terra

Faça da paz uma escola

O esporte em vez da guerra

E toda bomba uma bola.

 

E assim todo o universo

Seria filho ou irmão

O mundo inteiro um só verso

No peito, um só coração.

     Jailda Galvão Aires


domingo, 19 de maio de 2024

FÚRIA DAS ÁGUAS

As comportas do céu abriram-se com fúria

E a água torrencial tornou-se um mar de lama

Os rios se uniram em um imenso oceano

Granizos caiam sobre telhados e camas

A pele dos animais foram feridas,

Afogadas extensas plantações.

Paredes racharam. Telhados caíram. 

Assoalhos subiram numa gigante embarcação

Corpos boiaram nas águas mortais

Corpos soterrados nas fendas que abriram

Corpos sem nome e sem identificação

Um dilúvio tomou o Rio Grande do Sul.