quarta-feira, 17 de setembro de 2025

EU ÁTOMO ALMA E PÓ

Eu vim do cisco de alguma estrela,

Do pó da terra que alimenta a vida,

Sou energia sem poder contê-la,

Usina transbordando. Incontida. 

 

Sou as marés que ninguém pode detê-las

Fases da lua crescente e retraída

Ondas do mar revolto que encapela,

Borboleta esvoaçando distraída

 

Sou energia de um átomo travesso,

Que atravessou as brunas do universo,

No bico alado d'uma gentil cegonha,

 

Aterrissei num berço improvisado

Num caixote de cetim acolchoado

Feito por minha mãe feliz, risonha.

    Jailda Galvão Aires


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