segunda-feira, 17 de julho de 2023

O VENTO

paraquedas

para

a queda

aqueda

aquieta

lá vem o temporal

 

cata-vento

acata

o vento

venta

ventila

feito um vendaval

 

paraquedas

se não paras

a queda

será fatal

 

cata-vento

acata o vento

que ventila

a roupa no varal

 

cuidado é pouco

o vento é louco

feito um furação

que vem a galope

e num único golpe

põe tudo no chão.

 

Jailda Galvão Aires 17/07/2023


 

ESCULTURA

 Meus ouvidos escutavam...

eu não me engano

- era sua voz no silêncio  da noite.

 

Meus lábios sentiam

eu não me engano

-era sua boca na ânsia incontida do amor

 

Suas mãos suavam

eu não me engano

as tive entre as minhas, suaves pétalas de rosas.

 

Vem, amor

que embalsamá-lo-ei

com o mesmo aroma que ficou em mim

 

Eu não me engano

era você

eu sei que era você

esculpido em carrara.

escultura viva

que toquei, senti e apalpei.

estivestes comigo

mas não posso dizer que eras meu

porque é tua a tua vida 

e tens livre arbítrio

e quando parte

não sei se voltará ou não.

lIhéus, 3/04/1968  

sexta-feira, 14 de julho de 2023

POEMA DE SANGUE

 POEMA DE SANGUE (19)

 

A poesia morreu

morreu o belo

a flor

a vida

o amor

Surgiu a guerra!

 

Um poema de sangue 

envermelhou  a areia

a poesia ,sem poesia, não foi lida

cresceu o ódio

e a revolta incendiou a terra

 

Os homens se afastaram

não compreenderam

mataram o amor

pisaram  as flores

a beleza dos montes

enegrecendo as fontes

 

pais perdem filhos

crianças órfãs perambulam desamparadas

a multidão lazarenta

foge da morte

tomba nos mares

e desfalece na estrada.

 

Construções  tombam

sob nuvens de concreto

 

O grito perpetua : morte!

 

O extermínio domina o planeta

a guerra castiga,

aleija

açoita

cruelmente

balas e canhões

matam inocentes

vidas ja não sonham mais

nunca mais sonharão.

 

A paz não mais voltará

nem a poesia

nem o belo

nem o amor

 

No coração do homem

está escrito o poema de sangue:

ódio

vingança

extermínio

atrocidade

poderio

vanglória

ambição

Um coração de pedra vocifera:

- morte ao planeta!

E a Terra tomba sobre a terra.

  Jailda Galvão Aires/1968