segunda-feira, 21 de outubro de 2019

DOCES MÃOS DE DULCE

Sagradas são tuas mãos
Que acodem, que acarinham,
Que agasalham e aninham,
Socorrem com doce afeto.
Secam os prantos sofridos
Reanimam os deprimidos.
Acolhe quem não têm teto. 

Sagradas são tuas mãos
Que nas madrugadas frias
Enfraquecida tu saías
Escondida do convento
E por ruas e alagados 
Cobrias os esfarrapados
Limpando chaga e excremento 

Sagradas são tuas mãos
Que conseguem alimentos
Nas feiras e nos conventos
Nos Centros e Candomblé
A extensão da caridade
Transpõe a credulidade. 
Vai além de qualquer fé.

Sagradas são tuas mãos
Que mesmo sendo escarrada
Estende a outra espalmada
E continuas implorando.
Vence dogmas, convenções. 
À justiça, por invasões,
-Tua missão multiplicando.

Ergueu uma enfermaria
No lugar de um galinheiro
Doado por um mosteiro.
E quando a madre a interpela:
Onde estão minhas galinhas?
-Irmã, em cada barriguinha.
- Foram todas pra panela.

Quem as viu tão pequeninas,
Com frágil respiração
Varrendo, limpando o chão,
Desafiando a ciência.
Com a força da caridade
Levantou toda a cidade
Com a mão da Providência.

De doação em doação
Dos feirantes aos empresários
ONGs, governo, voluntários 
Ergueu o maior hospital
Para atender a pobreza 
Da Bahia e redondeza
- Um legado mundial.

Sagradas são tuas mãos
Irmã Dulce mãe dos pobres
Movestes corações nobres
Hoje tu moras nos Céus.
Santa Dulce a primeira,
Desta Pátria Brasileira
-Rogai por nós junto a Deus!
          Jailda,21/0/2019






quarta-feira, 2 de outubro de 2019


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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

PRIMAVERA EM CHAMAS


Faceira, bela e gentil,
Vestida de flores mil                                             
Vem chegando a primavera!
Minha alma feliz suspira
São anjos tocando lira
São cores florindo a Terra.
 
E o homem - feroz, daninho,
Rouba das aves o ninho
O fogo queima, exaspera,
A mata inteira emudece
De dor a terra estremece:
-Adeus, adeus primavera!

          Jailda Galvão Aires



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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

MÃOS BENDITAS

Benditas mãos que embalam berços
Berços que guardam anjos que voarão um dia

Voos tão altos que poucos olharão pra trás
Os filhos não pertencem aos pais.
São filhos dos sonhos que cada vida traz.



Se forem almas agradecidas
Volverão o olhar e beijarão as faces envelhecidas
Afagarão cabelos alvos como as neves
Aquecerão mãos ásperas e frias.
Ajudando a caminhar
Quem os ensinou a caminhar um dia.
E no último gesto, sofrido e breve,
Fecharão os olhos na última despedida
Mãos preparadas para servirem à vida.

Benditas as mãos que faz chorar os filhos
Educando-os com firmeza e retidão
Para que as escolhas da vida
Não os faça chorar arrependidos.
E um dia poderão dizer agradecidos:

- Pais de amor eu os amo e os bendigo.

Mãos benditas mãos que sendo sábias

Poderão guiar a humanidade.

Com amor, justiça e igualdade,

Cada criança é o amanhã de um novo mundo. 

Sem fome, guerras... Igualitário. Fecundo.

Benditas as mãos que ao anoitecer
Bendizem ao Salvador
Olhando o céu e agradecendo o dia
Que unem as mãos dos filhos
Num só estribilho de gratidão e amor
Ensinando que a vida sem compaixão
É pequena, vazia. Um viver sem expansão.

Benditas as mãos que ensinam
Que dividir é multiplicar sementes
Que em solos férteis frutificarão
Florescendo desertos
Armazenando celeiros

Que alimentarão o mundo inteiro.

Benditas mãos que derrubam fronteiras
Testificando que é de todos a terra inteira.

Mãos que constroem pontes
Que ligam corações, sentimentos, cidades.
Partículas de Deus servindo a humanidade

Mil vezes benditas mãos afortunadas
Que trazem em suas palmas vidas abençoadas.             Rio, 20/10/2019 Jailda Galvão Aires.