sexta-feira, 18 de setembro de 2015

SEDUÇÃO (ALBAP)

Se sopras ao meu ouvido, árias de amor,
Hálito quente nos meus cabelos...
Másculas flores
Emanam odores
Que me enlouquecem
Se elas soubessem
- Pobre de mim.

Se roças a minha nuca tão sedutor
Cálido gesto de puro apelo
Meu corpo sente
Tua barba quente
Correm arrepios
Calor e frio
Sou só carmim.

Se beijas a minha boca com tanto ardor,
Tímida, enrosco qual um novelo
Sinto odores
De mil licores
E me embriago
Nos teus afagos
Sou tua, enfim.

Jailda Galvão Aires

sábado, 25 de julho de 2015

SAGA DOS NORDESTINOS

   Por horizonte: poeira.
   Terras secas e rachadas,
   Quebrando pás e enxadas,
   Sem cerca, eira e nem beira.
   Somente o sol por fronteira
   Castiga, queima, inferniza.
   Nenhum bafejo de brisa.
   Só o gemer da porteira.

   Já não existe parreira,
   Nem sombra, água ou abrigo.
   Só um imenso jazigo,
   De animais em fileira.
   Vazias, as algibeiras,
   Nos ombros secos de um forte,
   No chão - carcaça e morte.
   No céu - aves carniceiras.


   A fome leva à cegueira,  
   À criança – qual palito,
   Neste deserto maldito,
   Só raízes na chaleira.

   O gado morrendo à beira
   De um lodoso sequeiro.
   Nem mato ou capim rasteiro,
   Só fome, dor e caveira.
 


   Comendo rato e poeira.
   Coração triste, ofegante,
   Enrugam os pés e a fronte,
   Nem sentem a dor costumeira.
   Numa prece derradeira,
   Erguem as mãos ao infinito,
   Ninguém escuta o seu grito,
   Cala o céu e a terra inteira. 

   “ - Só nos resta uma maneira:
   Sampa ou Rio de Janeiro,
   Lá a gente faz dinheiro
   Nossos guris faz carreira
   Nós vorta. Vai que Deus queira.” 
   - Ilusão filha da peste!
   Não voltam mais pro nordeste.
   - São escravos de empreiteira. 

   A ascensão é herdeira,
   De uma elite que se elege.
   Mas só os bancos protege,
   Cueca, meia e carteira.
   Maquinam a vida inteira,
   Fraudando a “indústria da fome.”
   Mancham nome e sobre nome

   Sangrando nossas bandeira!  
   Rio, 25/07/2015.  Jailda Galvão Aires.   
 

sexta-feira, 12 de junho de 2015

DIA DOS NAMORADOS

 
O amor não terá medida
Se os dois apaixonados
Se tratarem toda a vida
Como eternos namorado

sexta-feira, 5 de junho de 2015

AQUILATANDO MINHAS TROVAS

       
 
O celular é incerto
E as vezes destoante
Separa quem está perto
E aproxima o distante
       Jailda Galvão Aires

quinta-feira, 28 de maio de 2015

NÃO SEQUESTRE O MEU SER

Pensas tu que embalas os meus sonhos

Que os torna risonhos e assim me acalma?
Seca meus olhos sorri os meus risos,
Anseias com isso reter a minha alma?
 

 Enganas querido, é livre o amor
Não és meu gestor. Sou livre vê bem.
Imaginas que assim me conquistas?

É um ponto de vista, errado porém.

Aprende que o amor verdadeiro 

É sempre o primeiro a nos libertar.
Quem ama não ata e nem escraviza.
Porque a divisa só faz limitar. 


Se fracionas um só dos meus planos

Terás só enganos, pedaços de mim.

Se me queres inteira não me fragmente.

E assim somente serei tua em fim.

Para saber que te venero e te amo,
Não banques meu dono, eu quero ser eu.
Sendo assim, te serei todo instante,

Mulher e amante na terra e no céu.
Rio. 18/03/2010 Jailda Galvão Aires



domingo, 1 de fevereiro de 2015

EU E VOCÊ


Eu...
Você...
Nós dois...
O amor desabrochando em risos
Caminhos doces de rosas azuis
Sem espinhos. Indivisos.


Eu...
Você...
Nós dois...
Dois olhares se fundindo em orações

Duas bocas num beijo ardente,
Ouvindo no silêncio - os corações

Eu...
Você...
Nós dois...
O mar beijando a areia turva
Rastros  apagando lentamente 
Duas silhuetas inertes sob a chuva 

Eu...
Você...
Nós dois...
Lágrimas tristes sobre o nosso corpo 
Um beijo demorado de adeus. 
Um pranto quente num suspiro morto...

Eu...
Você... 
Nós dois... 
Duas mãos separadas. A sós
Duas névoas num olhar choroso 
Um hoje, um ontem e nunca mais depois.
     Jailda Galvão Aires. Coaraci/Ba 1970

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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

CLONANDO MEU PAI

        Brinquei de Deus, e um homem eu criei:
Forte, valente, intrépido, audaz.
Não um Adonis nem tão pouco um rei
Mas nele havia de algo, muito mais. 

Não tinha a imensa força de Sansão,
Nem de Davi vencendo os Filisteus
Teria sim a garra de um  leão
Ao defender a casa e os filhos seus

Não faria  em honra um só monumento.
Não seria  rei ou grande imperador,
Ergueria, sim, o mais nobre intento:
- Um lar honrado onde reinasse o amor.

Em seu peito não teria medalha,
Nem distintivo sobre o coração.
Pois a justiça nesse mundo falha,
Não premiando um grande cidadão.

Olhem suas mãos - da incessante lida,
Contem os calos, e, assim verão,
Medalhas e troféus, que a própria vida,
Como prêmio, bordou em cada mão.

Não teria fama e não teria riqueza.
Colheria os frutos do intenso labor
Ao caminhar  diriam com certeza:
- Eis que passa na rua um vencedor.

Não seria arrogante, nem pretensioso,
Forte e seguro em tudo o que fizesse
Bom companheiro e amigo generoso.
- “Servir” seria a mais completa prece!

E se a dor, esta cruel inimiga,
Por  vezes, lhe ferisse o coração,
Blasfemaria o pesar que lhe castiga,
Sem perder a fé assumindo a razão.

Amaria os filhos mais que a própria vida
E a esposa - companheira amada,
Reconhecendo que a mulher querida,
Lutou com ele igual, nessa jornada.

Ninaria os filhos numa rede branca
Cantando valsas à luz de um candeeiro
Aconchegando cada um em sua cama...
Repelindo insetos do mosquiteiro.

Faria brinquedos, casas pequeninas,
Carrosséis e cavalinhos de pau.
- Maior fogueira nas noites juninas!
- Melhor festa nas noites de Natal!

Assim, brinquei de Deus literalmente,
-Grande surpresa que de mim não sai!
Clonada estava, ali na minha frente...
-A essência viva, de você, meu pai.
   Jailda Galvão Aires   (Rio, 11/08/2008)






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