segunda-feira, 23 de junho de 2014

COPA DO MUNDO - BRASIL/2014

              
          

O mundo gira
A Terra gira
A bola corre girando
O mundo estremece
A rede tremula gemendo ou cantando
 Lamentos para uns
Para outros, melodia.

A rede balança tatuando gols
Um lado emudece...
O outro – explode em extasiante alegria!

A terra inteira correu pro Sul
O infinito pousou com astros e estrelas
No céu do pavilhão, inteiramente azul.
Misturam raças, credos, hinos, costumes.
O dialeto é um só. Há comunicação
No olhar, no sorriso, no corpo inteiro,
Ou num simples sinal ou gesto com a mão.

 Tremulam bandeiras cantam e se agigantam
Num imenso coração.
Não existe diferença pois diferença não há
Quando há irmandade.

       Nos gramados de todo o Brasil
Corre a bola, quica, serpenteia
Voa bem alto ou corre rastejante
Num espetáculo sem igual - contagiante!  

Gira a bola gigante do grande arco-íris
E as cores da terra inteira
Numa única cor se faz
- O branco da unidade e da paz.

                 Jailda Galvão Aires 24/06/2014

terça-feira, 15 de abril de 2014

"DEUS ESTÁ MORTO"

            Deus está morto...
Ainda ontem vi passar mais um caixão.
Deus morre milhões de vezes a cada minuto de vida
Em cada prece que cala
Em cada corpo que tomba
Em cada coração em ruína.

Deus está morto...
O Deus que os homens construíram e acreditaram
O Deus esperança,
O Deus promessa,
Milagre!
Cura!
O Deus que salvaria o mundo!

Deus está morto...
Ainda hoje vi passar mais um caixão.
Um corpo tombou do vigésimo andar.
Mais uma granada lavou a terra de poeira e sangue.
Maria matou seu filho que não teve pai,
Nem alimento do seu próprio corpo.
Mais uma  favela tremeu e Deus morreu,
Em duas mil vidas.

Deus está morto...
Foi enterrado nas lágrimas que não caem mais.
No sorriso amargo da criança faminta
Em cada esperança que se fez perdida.
Em cada prece que não foi atendida.
Deus, agora mesmo, deve estar morrendo...
Mais uma vez,
Mil vezes,
Um milhão de vezes...
Muitas vezes mais.
Amanhã... o “Deus dos homens” sairá em todos os jornais.

       Itabuna-Ba. FAFI – Prova de teodiceia
             Em 22/11/1973. Jailda Galvão Aires.
Ressalva: Refiro-me ao Deus que os homens criaram. Creio plenamente no Deus que criou os homens.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Nem tudo que parece ser é.

NOVELA


A rainha da noite
No vestido azul do céu
Mirava o perfil de um casal
Nas águas da Terra que eram espelhos. 

Os pássaros cantavam docemente.
Enquanto o vento beijava suavemente
A cabeleira das árvores
As águas, no seu partir eterno,
Deixavam no chão o último beijo.

        
        A natureza era um cenário de luz,
Na apoteose de duas vidas.

        Ninguém desconfiava
Que os protagonistas desta história de amor
Éramos eu e você vivendo o mais belo conto.

              Coaraci-Ba. /Jailda Galvão.

domingo, 13 de abril de 2014

DEIXA-ME SONHAR

               Por mais que eu relaxe não consigo dormir.
O sono, eterno fugitivo, não vem.
Ouço as pulsações do meu peito
Como se fossem teus passos
E neste caminhar espreito
Sinto que rondas o meu quarto. 

Levanto-me, em vão te procuro.
Estranho vazio se apodera de mim.
Sinto falta dos meus sonhos
Mas como sonhar sem dormir? 

Sento-me na cama - penso em ti
A solidão austera me invade
Busco refúgio nos meus versos
Mas em cada reverso
Gravado estás
Como nos sonhos,
Na saudade
Nas voltas do meu universo.
Apago a luz
Plasmam imagens de tantas coisas vividas
E te desejo mais que antes
Mesmo sabendo que não houve despedida. 


Vencida pelo cansaço desmaio adormecida
Enquanto vislumbras sorrateiramente. 

A realidade, sem te, não tem sentido.
Se te tenho por inteiro em meu sonhar
Quero meu ser assim desfalecido
- Nunca mais quero acordar.
         Coaraci-Ba, 11/01/69 Jailda Galvão Aires