segunda-feira, 19 de maio de 2014
terça-feira, 15 de abril de 2014
"DEUS ESTÁ MORTO"
Deus está morto...
Deus está morto...
Ainda ontem vi passar mais um caixão.
Deus morre milhões de vezes a cada minuto de vida
Em cada prece que cala
Em cada corpo que tomba
Em cada coração em ruína.
Deus está morto...
O Deus que os homens construíram e acreditaram
O Deus esperança,
O Deus promessa,
Milagre!
Cura!
O Deus que salvaria o mundo!
Deus está morto...
Ainda hoje vi passar mais um caixão.
Um corpo tombou do vigésimo andar.
Mais uma granada lavou a terra de poeira e sangue.
Maria matou seu filho que não teve pai,
Nem alimento do seu próprio corpo.
Mais uma favela tremeu e Deus morreu,
Em duas mil vidas.
Deus está morto...
Foi enterrado nas lágrimas que não caem mais.
No sorriso amargo da criança faminta
Em cada esperança que se fez perdida.
Em cada prece que não foi atendida.
Deus, agora mesmo, deve estar morrendo...
Mais uma vez,
Mil vezes,
Um milhão de vezes...
Muitas vezes mais.
Amanhã... o “Deus dos homens” sairá em todos os jornais.
Itabuna-Ba. FAFI – Prova de teodiceia
Em 22/11/1973. Jailda Galvão Aires.
Ressalva: Refiro-me ao Deus que os homens criaram. Creio plenamente no Deus que criou os homens.
Em 22/11/1973. Jailda Galvão Aires.
Ressalva: Refiro-me ao Deus que os homens criaram. Creio plenamente no Deus que criou os homens.
segunda-feira, 14 de abril de 2014
NOVELA

A rainha da noite
No vestido azul do céu
Mirava o perfil de um casal
Nas águas da Terra que eram espelhos.
Os pássaros cantavam docemente.
Os pássaros cantavam docemente.
Enquanto o vento beijava suavemente
A cabeleira das árvores
A cabeleira das árvores
As águas, no seu partir eterno,
Deixavam no chão o último beijo.
A natureza era um cenário de luz,
Na apoteose de duas vidas.
Que os protagonistas desta história
de amor
Éramos eu e você vivendo o mais belo conto.
Coaraci-Ba. /Jailda Galvão.
domingo, 13 de abril de 2014
DEIXA-ME SONHAR
Por mais que eu relaxe não consigo
dormir.
Apago a luz
O sono, eterno fugitivo, não vem.
Ouço as pulsações do meu peito
Como se fossem teus passos
E neste caminhar espreito
Sinto que rondas o meu
quarto.
L evanto-me, em vão te procuro.
Estranho vazio se apodera de
mim.
Sinto falta dos meus sonhos
Mas como sonhar sem dormir?
Sento-me na cama - penso em ti
A solidão austera me invade
Busco refúgio nos meus versos
Mas em cada reverso
Gravado estás
Como nos sonhos,
Na saudade
Nas voltas do meu universo.
Plasmam imagens de tantas coisas
vividas
E te desejo mais que antes
Mesmo sabendo que não
houve despedida.
Vencida pelo cansaço desmaio
adormecida
Enquanto vislumbras sorrateiramente.
A realidade, sem te, não tem
sentido.
Se te tenho por inteiro em meu
sonhar
Quero meu ser assim desfalecido
- Nunca mais quero acordar.
Coaraci-Ba, 11/01/69 Jailda Galvão
Aires

sábado, 12 de abril de 2014
TRISTE SOLIDÃO
E eu estou sozinha...
Num silêncio desolado
Sem luz
Sem calor,
Sem voz,
Sem amor
- Um silêncio desalmado.
Num vazio prolongado
É triste a solidão...
- Um silêncio desalmado.
Num vazio prolongado
É triste a solidão...
E eu estou sozinha...
Ao frio das noites
Sem canção
Sem luar,
Sem espera
Sem luar,
Sem espera
Sem ilusão
-Um adeus inexplicável
Com marca implacável...
É triste a solidão...
Com marca implacável...
É triste a solidão...
E eu estou sozinha...
Num suplício de dor e desalento
Ao sabor do vento que me gela a alma
Num despertar de dor e de lamento.
E assim me vou:
Sem espera,
E assim me vou:
Sem espera,
Sem sonhos...
Sem quimera.
Sem quimera.
- Sem um gesto sussurrante,
Transformando o amor
Num leviano instante.
Num leviano instante.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
MENTE
Mente, não venha com seus impulsos,
Roubar a paz dos meus pensamentos.
Não me arraste como ondas impetuosas
Levando-me a águas turvas, profundas
Onde residem dores e lamentos.
Ainda que tenhas tentáculos
Ainda que tenhas tentáculos
E potentes ventosas,
Não és mais forte que eu
Que a minha inata verdade
E a minha vontade silenciosa.
Quero estar introjetada, enraizada,
Presente em todas as células
E consciência do meu corpo
Onde não existe espaço
Para o ontem e o amanhã.
O passado está fossilizado
Para o ontem e o amanhã.
O passado está fossilizado
O futuro é um livro sem páginas.
Não me venha com conselhos ou talismãs.
Quero o agora, com seu poder e mágica
Sem antecipações e sem lembranças
Sorver cada momento a singular beleza
Como a leveza e a verdade das crianças.
Jailda Galvão Aires. Rio, 07/04/2010.
Quero o agora, com seu poder e mágica
Sem antecipações e sem lembranças
Sorver cada momento a singular beleza
Como a leveza e a verdade das crianças.
Jailda Galvão Aires. Rio, 07/04/2010.
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