terça-feira, 14 de maio de 2024

NASCI MULHER

 Nasci mulher e sei domar a força.

com suaves gestos controlo o impossível,

a força bruta virá se for preciso

pra defender a cria e qualquer injustiça,

agiganto-me. Confesso. Perco o juízo.

 

Amo a paz e a doçura da qual fui feita

De raios estelares sou luz no meu caminho

Desbravei o espaço e posei suave

Nas asas da cegonha adentrei voando

Escolhi o Planeta Azul e aconcheguei-me ao ninho

 

 

Fui feliz na minha infância e brinquei descalça

contando estrelas rodopiei na rua

vivi, dancei, cantei e cirandei na praça

adentrei florestas e conquistei castelos

fui colibri, vitória régia e gentil tapuia.

 

Frágil  sou e mino lágrimas que caem

molhando a terra e regando as flores.

sou as fases da lua, transmuto cada estação.

sou maré cheia, cheiro de terra molhada.

sou barro, poeira, presente, passado,

destino e futuro tatuo em cada mão.

 

Sou mulher. Dualidade inevitável

ternura, força, garra e comunhão

quero ser este ser sempre mutável

que grita e chora, reclama, implora

ponderada, empoderada, óvulo e gestação.

 Jailda Galvão Aires.  (13/05/24) Rio.



sábado, 27 de abril de 2024

Nulla dies sine linea.(Nem um dia sem linha)

  Criança, risque e rabisque o seu caderno,

  Um sol dourado nascendo atrás da serra!

  O sorriso do pai, o rosto materno.

  Um mundo de paz, sem arma e sem guerra.

 

  Poeta, verse o amor que o amor é eterno. 

  Toda a beleza que vida encerra,

  Cante o verão. Dance no inverno.

  Ame as flores gentis da primavera! 

 

  Artista pinte  os muros da cidade 

  Com traços firmes, mostre as mazelas,

E a divergência da sociedade. 

   

 Que todo dia a musa inspiradora

 Quer na cidade, no campo ou na favela,

  Deixe a vida mais bela e encantadora!

 

  Jailda Galvão Aires

 

Evento de Efepê Oliveira e Grupo Literário Caderno de Rascunho

Grupo Literário Caderno de Rascunho
V Evento Virtual Literário "Nulla dies sine linea."

Comissão Organizadora: Efepê Efe OliveiraSandra Mara Mardones

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

UM CAFÉ PARA DOIS

 Vem, a casa está linda e perfumada.

Gardênias enfeitando o nosso ninho...

Sobre a mesa, uma toalha bordada.

Vinho do Porto e um café quentinho.

 

Pastéis de Belém, que doce entrada!

Adoçando a boca um doce vinho,

Velas deixando a mesa iluminada

O amor despertando aos pouquinhos.

 

Depois o leito azul nos esperando

Lençóis macios e acolchoados

Pétalas sobre o leito aconchegante.

 

Dois corações fortes pulsando...

O gosto de café na boca. Um fado

Embalando o amor de dois amantes.

          Jailda Galvão Aires

 20° Café Na Passarela
Tema - "Café da manhã para dois" Onde o amor será a dia 27/01 Sábado - Das 14 as 20 horas Estilo da escrita livre Coordenação do café Ivani Santos Luisa RafaelTerezinha Costa Direção - Sil Landarim

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

ADEUS BRASIL MACULADO

 Na esfera

Da terra

Em que desci

era verde

auriverde

era tupi

Guaraci o sol

Cacique o farol

Deusa lua Jaci

Tupã trovejava ali.

 

As naus chegando

Aportando

Mil olhos vi

Entre as palmeiras

Tribos inteiras

viviam ali

flores ornando

aves cantando

beijando as flores

- o colibri

 

tão cristalinas

brotam das minas

Rio Amazonas

ao Itacari

da terra os frutos

maior tributo

plantado aqui.

da fauna a flora

riqueza aflora

ouro, rubi

 

A terra virgem

tão pura origem

lendas mais belas

Peri e Ceci

vieram os brancos

num atravanco

só destruir

terras ardendo

índios morrendo

Só cinzas eu vi

 

Tupã em pranto

das nuvens o manto

perdeu o poder

e o branco vil

destruiu as matas

adeus cascatas

adeus meus rios

animais extinto

Só por instinto

Adeus Brasil.

Jailda Galvão Aires 17/01/2024